Pingados.
12º

Antes, através da janela de um ônibus ou carro, eu enxergava pessoas, prédios, outros carros, outros ônibus, fumaça, blá, blá blá, todo tipo de coisa que se espera encontrar no meio da selva de concreto e aço… Agora, vejo seu reflexo. Vejo seus olhos e sorriso, e por um instante isso me conforta, me faz acreditar que coisas boas existem e que tudo seria mais fácil - ou pelo menos mais bonito - se estivesse com você… De alguma forma. Fantasias duram pouco. A imagem se vai lentamente durante o caminho e novamente, vejo a realidade pelo vidro. Realidade. Seu sorriso se vai, seu olhar se vai e dá lugar a um sentimento inexplicável. Olho de novo, me esforço, o coração acelera, me concentro e nada. Isso é a realidade. E ela não me permite procurar coisas onde não existem, enxergar algo além da costumeira paisagem do lado de fora. O que posso fazer é imaginar os poucos segundos que seu reflexo esteve ali, sem nenhuma expectativa. E mais ainda, estar atento ao fato de que talvez andei jogando pedrinhas onde não deveria, simplesmente por não conseguir tirar você da minha janela, por querer que seu reflexo virasse minha realidade.


Eu nunca ouvi sua voz, eu nunca olhei nos seus olhos, nunca toquei na sua pele e nunca estive presente nos seus dias. Porém o pouco que conheço de ti, me faz sentir uma falta incontrolável, sufocante e confusa de você. Você assim, do jeito que é, pequena de personalidade grande, beleza sútil e singela atrás de um sorriso evitado, se mostrando agradável, indefesa… Eu nunca ouvi sua voz, eu nunca olhei nos seus olhos, nunca toquei na sua pele, e talvez não vá ser eu, e não necessáriamente faço questão, só desejo mesmo, que quem o fizer, faça consciente do seu valor. Desejo que quem o fizer, nunca a magoe, nunca a decepcione, nunca lhe falte com o respeito e que faça você se sentir única, dia após dia. E que acalme seus medos e afaste qualquer coisa que pudesse colocar algum vestígio de lágrima nos seus olhinhos, que não a deixe se sentir vazia e que segure suas mãos nos piores momentos e te leve pra casa. Eu nunca ouvi sua voz, eu nunca olhei nos seus olhos, nunca toquei na sua pele e nunca estive presente nos seus dias, e acho que isso nunca irá acontecer, mas não deixo de te admirar.

“Chacal Vader”

Pikachu

Welcome.

“Listen to me! You have to consider the possibility that God does not like you, never wanted you, and in all probability, he hates you. It’s not the worst thing that can happen. We don’t need him! Fuck damnation, man! Fuck redemption! We’re God’s unwanted children, SO BE IT!”

Ever.

Wake up, Donnie.

Não sou revoltado. Já passei da idade de rebeldia sem causa. Também não sou calmo. Às vezes me sinto constantemente ameaçado por uma linha tênue, tecida inconscientemente, pra separar os conflitos que minha mente gera a cada dia. Eu tenho um emprego, sou subordinado, moro com meus pais, tenho hora pra chegar em casa, como arroz com feijão quase todos os dias, gosto disso. Porém, me encho de orgulho quando ouço a voz gritante, que me faz arrancar meus cabelos, me arranhar e encher os olhos de lágrimas de raiva, de ódio, do outro lado dizendo ser justamente oposto do lado de cá. Dizendo não estar satisfeito com o rumo em que as coisas estão tomando. Aplaudo de pé ao ver isso jogado, cuspido, bem aqui na minha cara. E elas estão aqui, cada uma com seus paradigmas, uma completando a outra. Sei que elas não querem passar seus dias presas e sufocadas dentro de um escritório. Também sei, que não querem beber até cair sem destino, ou fazer coisas de que nem se lembrarão no dia seguinte. Uma é combustível pra outra, cada qual tem sua própria revolução e formas de libertação, não precisam se confrontar pra viver. Estou no meio da linha, e hoje acredito que é aí que devo estar. 

Frango Xadrez.

Se eu fizer parar de chover pra você ver o sol nascer e acreditar que deixei o conforto, só pra poder te ouvir falar e dizer que este será o momento mais feliz da sua vida, porque estamos vivendo como se fosse o primeiro dia e enquanto eu puder manter esse seu sorriso, vou fazer desse dia, o mais feliz. E quando o silêncio for tudo o que escutar e minha voz tentar encontrar, feche os olhos, eu vou estar aqui. Tente enxergar isso em mim.

                                  
Escrevi uma canção sobre a guerra do tipo que vive na sua cabeça. Eu achei um lugar em que posso sentar, um lugar em que a luz bata todos os dias, como bate na palma da sua mão, quando você está tentando alcançar algo que está lá no céu. É assim que eu gosto de me ver. Alcançando uma estrela por vez. Não há muito o que explicar, exceto, que eu me encontrei cego por cada parte da luz, estou me sentindo tão seguro dentro da vista do sol e realmente acho que estou em casa agora, é assustador.

Ode ao ‘M’, de Mariana Moura.

Fazer meu coração acelerar, não é uma tarefa fácil. Me fazer suspirar antes de dormir, menos ainda. Colocar um sorriso no meu rosto, quando eu acordo, então… Poucas coisas e pessoas, realizaram tal feito. E você tem conseguido, pequena. A cada segundo que passa, o que eu mais desejo é estar pertinho de você, conversando coisas sem sentido, sobre pandas e elefantes, aprendendo a acentuar corretamente as palavras, mesmo esquecendo tudo no dia seguinte. Compartilhando os segredos mais bobos e mais sérios que poderíamos ter, com a certeza, de que somos mesmo, psicopatas em potencial. Quero enxugar suas lágrimas e ao mesmo tempo, deixar você chorar até desidratar, e depois discutir detalhadamente o porquê de tal choro, ensinando e aprendendo com isso. A cada segundo que passa, penso no quanto conhecer você, foi bom pra mim. No quanto está sendo bom, sorrir por causa de uma palavra, um gesto, uma lembrança… E como, eu já disse, não é fácil construir um castelo, nem é fácil ir dançar lá no alto onde as canções mais lindas do mundo não param de tocar e onde os pinguins podem ter bochechinhas, porém, há algo que está me motivando, e seja o que for, não quero que vá embora tão cedo.

Take off your pants.

O desassossego está presente em todos os tempos. Jovens que não se encaixam e adultos incompletos. Viver sempre esperando a vida realmente começar. Há quem dê devida atenção a vida? Talvez o motivo dessa aflição seja que jovens, não se encaixando em si mesmo, querem sempre mais o que não tem. A mesma coisa quando adultos, sentindo-se incompletos apartir de uma autocrítica justamente por essa vontade de abraçarem todos os seus desejos. O famoso mal de Pasárgada: O reino é bom enquanto é “lá”. Mas e quando chegamos e ele passa a ser “aqui”? Talvez nós sempre queiramos o que está além. Sinto que todos morreremos incompletos, mas nesse sentido íntimo, de cobrança pessoal. Fernando Pessoa disse que a consciência traz a decadência. Quando vive-se inconscientemente, se encaixando não em si, mas no que o ambiente lhe proporciona, há sucesso. Mas isso não é ser inteligente. Porém, quando se faz o contrário, quando tenta-se encaixar-se em si mesmo, então você se perde. Tentar encaixar-se é ter ciência que você ainda não se é. E se houver superação da consciência e, consequentemente, da moral? Quando a nossa consciência não nos prejudica mais, nem nos impede de fazer o que queremos? Quando, mesmo não nos encontrando em nós mesmos, aceitamos o fato e vivemos a partir dele? Será que é válido?! Não vivendo apartir do que recebemos, mas apartir de nós mesmos, aceitando o fato, abdicando-nos da busca, talvez assim, nos tornando completos… E então?! Há quem dê devida atenção a vida?


Here’s your letter…

Nunca pensei que fosse sentir sua falta. Mas as coisas parecem estar cada vez mais difíceis que às vezes me pergunto como seria se você estivesse aqui. Cresci sem você ao meu lado para me apoiar, me dar conselhos ou me colocar de castigo quando fizesse algo de errado, cresci sem você pra ir às minhas reuniões escolares e ver que mesmo não sendo um bom aluno, era o mais inteligente. Cresci sem saber o que é fazer você sentir orgulho de mim e talvez por isso, nunca fiz questão em deixar ninguém orgulhoso. Ainda não faço. Passei por momentos ora críticos, ora únicos e bons, onde você estava? Em minha mente, confesso que também passou despercebido, durante a maior parte do tempo. Talvez tenha tentado disfarçar sua ausência com outras coisas, talvez não. Talvez tenha aprendido a não me importar, nunca pensar e nunca imaginar como seria sua presença, e com isso me acostumando a ser sozinho, numa busca insaciável por me tornar mais forte, numa luta solitária pra provar a mim mesmo que não preciso e nunca precisaria de você. Existem dias em que consigo sorrir, como se nada me abalasse, e existem dias em que não consigo enxergar à luz do sol… Como seriam os seus dias? Acho que eu sou muito covarde por não me imaginar repetindo com alguém, sua atitude mais cruel, a de se ausentar para sempre, me deixando a mercê de mim mesmo. Devo admitir que essa é uma coragem que não tenho. Porém, não vou mentir, hoje, sendo quem sou, bato palmas a você. Sua ausência me fizera sentir dor, me fizera sentir ódio, me fizera ter dúvidas e, não há melhor aprendizado que este. Bato palmas a você, reconheço que sua pior atitude quanto a mim, possa ter sido talvez a melhor que tenha tomado em toda a sua vida em relação à minha vida. 

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Algo que me faça acreditar. 

Com olhos marejados.

Um dia fui à praia. No meio da tarde. Em uma dessas onde não frequentam muitas pessoas e pra falar a verdade, não creio que muita gente saiba da existência desse local, que por sinal é lindo. Acho muito melhor assim. Estava um dia claro, com poucas nuvens no céu, e essas poucas, eram brancas como a neve. Como sempre, daria pra contar nos dedos, às pessoas que estavam ali presentes naquele dia. O sol brilhava. Porém, algo me chamou mais atenção do que toda aquela paisagem única a minha frente. Havia um garotinho de uns sete anos no máximo, com as bochechinhas vermelhas do sol, na beira do mar, com uma pá, um cavador e um baldinho, coloridos, ambos de plástico. Ele estava concentrado em uma missão: construir um castelinho de areia. Achei curioso e, enquanto sentia o vento em meu rosto, observava o garotinho cada vez mais engenhoso em sua tarefa. O mar estava calmo e às poucas ondas que chegavam perto dele, voltavam sem grandes estragos. Podia-se notar o olhar de entusiasmo e felicidade do pequeno construtor, parecia que nada poderia atingir seu trabalho, que ficava cada vez mais bonito. Ele cuidava detalhadamente de todos os lados, e suas mãozinhas eram astutas com a ajuda da pá de plástico na hora de modelar cada torre. 

Continuei a observá-lo, enquanto isso as ondas estavam ficando um pouco mais fortes, o pôr-do-sol se aproximava e o céu já se encontrava em tons de laranja.

Estava pronto. O garotinho havia conseguido. Não deixei de sorrir, mesmo que de longe, assim como ele, quando se levantou e se pôs a admirar seu feito. Realmente era um belo castelinho. Enquanto ele sorria, recolhia suas ferramentas coloridas, com expressão de satisfação. Durante isso, realmente, não pode evitar, que uma onda despercebida, não muito grande, mas inesperada, pudesse colocar todo seu esforço abaixo. Até eu, me surpreendi! Aconteceu rápido. De onde estava, vi a decepção em seu rosto, era notório. Porém, não demonstrou reação além dessa. Apenas se abaixou, para continuar recolhendo, seus preciosos instrumentos de trabalho, coloridos. 

Não posso negar que foi uma situação simples, porém um tanto, desoladora. Levantei de onde estava sentado, e me dirigi ao garoto. Ele estava lavando suas mãos na água e não se incomodou nenhum pouco com minha presença ao seu lado.

— O que houve com seu castelo, garoto? — perguntei.

— Nada. Não era forte o suficiente. 

— Não era forte? Mas… você sabe que esse, não foi um bom local pra se erguer um castelinho, não é mesmo? 

— Talvez. Mas…

— Bom, você pode vir e tentar de novo, um pouco mais afastado do mar, desta vez, quem sabe? Daí o reino vai ser muito mais imponente, basta imaginar, você imaginou? O que me diz?

— Não sei… Sim, já havia imaginado um príncipe e uma princesa, e no meu castelo eles estavam felizes. Mas não sou um bom construtor de castelinhos de areia…

— Entendo — Não deixei de ver, uma lágrima descendo pelos seus olhos, enquanto ele abaixava a cabeça. 

— O que você vai fazer? Agora, que seu castelo está no chão…

— Não sei, acho que vou pra casa, talvez eu possa imaginar meu príncipe e minha princesa longe de castelinhos de areia, talvez não. Eu não sei.